Cartas a AV – 1

Francisco Martins Rodrigues

Carta a AV (1)

8/4/1986

Camarada,

Recebemos a tua carta de 5 de Março, da qual tomámos a liberdade de retirar alguns extractos que publicaremos na nossa PO  nº 4 a sair nesta semana.

Esperemos que tenhas recebido com agrado a PO nº 1 e 2 e o “Anti-Dimitrov”, que temos muito gosto em te oferecer.

Foi pena que, no encontro que um nosso camarada teve contigo, não se tivessem abordado as questões levantadas na tua carta. Quanto aos “desabafos” da tua carta, pensamos que são interrogações justas e realistas. Também nós procuramos dar respostas a todos esses problemas, e é sempre com prazer que verificamos que os temas que abordamos na revista encontram eco em alguns leitores. Embo­ra a situação seja preocupante, o nosso objectivo é procurar um caminho revolu­cionário que nos aponte saídas para furarmos as tais “campanhas de cerco e ani­quilamento” .

Gostaríamos de manter contacto contigo, por carta ou pessoal, sempre que possível. Entretanto, sugerimos-te que colabores com a PO, enviando-nos ou peque­nos artigos sobre qualquer tema político que te interesse, ou notícias, opini­ões, entrevistas que possas recolher aí relativamente ao movimento operário – sobre empresas, acção sindical ou qualquer outro assunto que esteja adequado à nossa revista.

Esperemos que quando tiveres emprego, possas fazer uma assinatura da revis­ta, que passarás a receber em casa.

Aguardando notícias tuas, enviamos-te as nossas saudações,

Carta a AV (2)

22/9/1988

Caro Amigo:

Em resposta ao teu pedido de 19 do cor­rente, enviamos-te nesta data os 4 exemplares que pediste da PO. Poderás fazer o pagamento por meio de vale postal dirigido ao nosso Apartado.

Ainda bem que vês interesse nos assuntos que discutimos na revista. A partir do próximo número (Outubro) introduzimos várias alterações que esperamos que a tornem mais interessante e acessível. Também reduzimos substancialmente o preço. Diz-nos o que te parece.

Com as nossas melhores saudações

Carta a AV (3)

2/5/1989

 Por lapso da nossa parte, a tua assinatura foi registada mas falhou o envio do nº 18.

Mando-te agora juntamente com o nº 19, com as nossas desculpas. Mando também alguns papéis da FER para te dar uma ideia, fizemos um comí­cio de apresentação na Voz do Operário e par­ticipámos com faixas próprias no 1º de Maio.

Por enquanto a Frente ainda está muito limitada às forças dos 3 grupos constituintes. Se tive­res oportunidade de distribuir propaganda em Coimbra ou Viseu será uma boa ajuda a divulgar a existência desta frente. Diz que quantidade de manifestos da FER te podemos enviar (vai sair um manifesto pela a lista de candidatos, em gran­de tiragem). Sempre que puderes manda-nos in­formações. Um abraço

PS – Mando junto um abaixo-assinado de apoio à FER. Se puderes recolhe assinaturas.

 Carta a AV (4)

14/6/1989

Caro Camarada:

Deves estar confuso com as notícias so­bre a nossa desistência da FER. Pela PO 20, que receberás dentro de dias, ficarás informa­do do que aconteceu. Estávamos há semanas à beira da ruptura e tentámos evitá-la por todos os meios mas os elementos da LST são desleais e não respeitaram os acordos que tínhamos as­sinado cm Março. Estavam a dar um tom modera­do e pouco sério à campanha e a impedir-nos de expor uma posição radical, conforme fora acor­dado. Queriam servir-se do nosso apoio para lançar o seu novo “partido” trotskista e apresentar as suas ideias. Pensamos que errá­mos ao ter entrado nesta frente sem garantias suficientes. Sabemos que esta crise causa des­crédito à esquerda mas não esteve na nossa mão evitar. Continuaremos o nosso trabalho em defesa das posições revolucionárias comunistas.

Esperando contar sempre com o teu apoio, aceita um abraço

Carta a AV (5)

1/8/1989

Caro Camarada:

Com algum atraso, devido a férias, res­pondo à tua carta de 6/7. Gosto sempre de rece­ber notícias e comentários teus e alguns, como tens visto, têm sido publicados.

Quanto ao MRI – Movimento Revolucionário Internacionalista, recebemos a sua revista em inglês e enviamos-lhes a P.O. em troca. São uma corrente maoísta, cu,jos principais partidos são o P. Com. Revol. dos EUA e o PC do Peru (Sendero Luminoso). Também temos várias publicações do PC do Peru, e uma longa declaração do seu diri­gente, o Presidente Gonzalo.

O mal desta corrente ê recusar-se a ana­lisar as causas da derrota da revolução chinesa e não fazer um balanço ao que o maoísmo teve de positivo e de negativo. Julgo que podem conse­guir algum êxito em países onde haja guerrilha camponesa (caso do Peru) mas não têm respostas para o movimento operário internacional. O futu­ro do comunismo não passa por ali. Caso estejas interessado, poderei ceder-te algum texto para leitura. Estamos a estudar novos temas para Outubro.

Um abraço

 Carta a AV (6)

10/10/1989

Caro Camarada:

Seguiu numa encomenda separada:

  • entrevista de Gonzalo (Peru)
  • revista do movimento maoísta internacional
  • PO 21 (tua assinatura)
  • PO 21 (10 exemplares)

Estes 10 exemplares destinam-se ao seguinte, caso estejas de acordo: ires colocar em duas livra­rias ou bancas de jornais aí (5 cada). Como tivemos que desistir da distribuição comercial porque não estava a dar resultado, lembrei-me de te fazer este pedido, dado o interesse e apoio que tens dado à revista. Mando juntas guias de remessa com indicação do desconto que fazemos (25%, o vendedor ganha 25$00 por cada revista).

Caso não possas fazer isto, agradeço que de­volvas os exemplares quando devolveres o folheto de Gonzalo e a revista americana (são exemplares únicos de nossa biblioteca). Fico aguardando as tuas notícias e a opinião sobre a PO. São bons os recortes ou comentários como tens feito. Saudações

 Carta a AV (7)

20/2/1990

Caro Camarada:

Tenho recebido as tuas cartas (a última foi a de 7/2 cem o cheque) mas não tenho respondido por demasiados afazeres. Peço que me desculpes, registámos a renovação da tua assinatura por 9 números e os 100$00 excedentes como apoio à revista.

Sempre que possas, manda as tuas informações e recortes, pois como tens visto têm sido aproveitados. Fizemos no dia 20/1 um debate alargado sobre as evoluções do revisionismo e estamos a ten­tar avançar mais ideias sobre o tema. Diz o que te pareceram os artigos da PO nº 23. Decidimos também editar um livro a curto prazo (?) em torno da crise do PCP, que vem confirmar o que os marxistas-leninistas diziam sobre a convergência entre o revisionis­mo e a social-democracia.

Recebemos a devolução dos materiais que te tínhamos enviado. Aceita as nossas saudações

 Carta a AV (8)

3/5/1990

Caro Camarada:

Agradecemos as tuas palavras de apoio que são para nós um estímulo a continuar a difícil tarefa de manter a “P.O.” em publicação regular.

Quanto ao teu pedido de materiais dos gru­pos e partidos pró-albaneses, estamos muito mal abastecidos. Vamos enviar-te uma série de números do “Vanguardia Obrera”, que é o único que recebe­mos com regularidade. Como publicam sempre extractos dos partidos irmãos deles (Albânia, Brasil, Equador, Colômbia, França, Dinamarca, etc.) permite teres uma ideia do que se diz por essas bandas. Para já, temos observado, também pelo “Bandeira Vermelha”, que são muito discretos quanto à der­rocada do Leste, dando a ideia de que se sentem confusos. Há também sinais de uma aproximação tí­mida aos revisionistas “duros”, como Fidel. Enfim, tu farás e tua análise. Pedimos que depois devolvas como da outra vez, visto que são exemplares únicos de arquivo. Um abraço e desejos de bom trabalho

 Carta a AV (9)

31/5/1991

Caro Camarada:

Houve bastantes respostas ao inquérito sobre a UDP, algumas extensas, de modo que depois de encher duas páginas da P.O. tivemos que guardar algumas para o próximo número. Ê o caso da tua, que foi das últimas a chegar. Espero que compreendas.

A próxima P.O. sairá depois das férias, em fins de Setembro, antes das eleições, portanto. O inquérito continuará a ter cabimento.

Hecebemos as tuas cartas de 5 e 25 de Março e publicámos algumas das tuas informações.

Por favor continua a mandar notas e comentários.

Neste momento estamos a colaborar com algumas pessoas no lançamento duma campanha de desmistificação dos Descobrimentos e anti-racista, vai sair um texto no 10 de Junho e vai-se fazer uma exposição de rua, depois mando-te cópias.

Um abraço

 Carta a AV (10)

26/8/1991

 Caro Camarada:

 Julgo que terás recebido a nossa carta de 31 de Maio. O teu depoimento sobre a UDP na CDU sairá na próxima PO; se por acaso lhe pretendesses introduzir quaisquer actualizações ainda ia a tempo, mas já está pronto para a im­pressão. Só falta (e é este o motivo desta carta) uma fotografia tua. Como identificação do teu nome pensamos pôr “foi activista de grupos marxistas-leninistas”, uma vez que nunca aderiste à UDP.

Está bem assim? Também gostaríamos de ter alguma correspondência tua para publicar sobre questões laborais ou de política local, etc. Pode ser?

Temos previsto um encontro para de­bate político para sábado dia 21 Setembro. Poderemos contar com a tua presença? Depois enviamos notas para discussão mas para já gostaríamos de saber se te é possível vir a Lisboa, assim como a fotografia logo que possível. Um abraço

 

Segunda carta ao MLP (3)

Francisco Martins Rodrigues

Segunda carta ao MLP (3)

  1. Situação no movimento ML

Enviámos o nosso Manifesto e a revista a 25 partidos ML, propondo a troca de publicações e de pontos de vista, mas, a não ser da vossa parte doe  “Progressive Labor Party”, não obtivemos resposta. O PC do Brasil devolveu-nos os documentos classificando-nos de trotskistas.

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Segunda carta ao MLP – 2

Francisco Martins Rodrigues

Segunda carta ao MLP – 2

  1. Luta interna no Partido

Manifestam na vossa carta preocupações quanto à nossa crítica à concepção do partido “monolítico”. Não temos dúvidas de que é uma questão vital, que precisa de um exame ponderado no espírito do leninismo e sem quaisquer concessões à social-democracia, ao trotskismo e ao anarquismo. Gostaríamos de conhecer materiais vossos sobre o assunto.

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A Revolução Russa e os seus equívocos

Francisco Martins Rodrigues

A Revolução Russa e os seus equívocos[i]

Numa situação revolucionária que estava longe de existir na Europa, o facto de a revolução russa ser conduzida pelos operários não lhe alterava o carácter burguês, etapa essa já ultrapassada na quase totalidade dos países europeus. O imperialismo acarretava na Europa a proliferação cm larga escala de forças contra-revolucionárias, levantando entraves imprevistos à revolução socialista.

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O marxismo-leninismo cm Portugal

Francisco Martins Rodrigues

O marxismo-leninismo cm Portugal

A corrente internacional que se autodesignou como “marxista-leninista” em reacção à deriva abertamente revisionista encetada pelo PCUS no seu XX Congresso de 1956 e que no nosso país se iniciou em 1964 com o Comité Marxista-Leninista Português e a sua revista Revolução Popular chega hoje ao fim.

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A ruptura com o PCP em 1964-1965 (1)

Francisco Martins Rodrigues

A ruptura com o PCP em 1964-1965 (1)

Duas linhas opostas na luta contra a ditadura de Salazar

Este texto recupera um conjunto de artigos escritos quando do meu abandono do PCP cm 1963, já lá vão 40 anos. Editados no ano seguinte em Paris, na revista Revolução Popular, do Comité Marxista-Leninista Português (à excepção do primeiro, publicado cm panfleto nos finais de 1963), há muito esquecidos, tiveram contudo na altura, apesar da circulação reduzida, uma influência indiscutível nos meios mais radicalizados da resistência, sobretudo entre a juventude. Basicamente, abriram a discussão sobre qual deveria ser a política comunista para o derrubamento da ditadura fascista, quando o início das guerras coloniais anunciava a crise final desta.

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