O general da Pide

Em Marcha, 3 Julho 1980

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Notas para a elaboração do programa

Francisco Martins Rodrigues

1 — No Manifesto aprovado na nossa Assembleia constitutiva de Maio de 1985, declarámos que a etapa da revolução em Portugal é socialista Estava então claro para nós que o poder burguês e o desenvolvimento do capitalismo tinham levado Portugal à fronteira da revolução proletária.

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Marxismo crítico e revolucionário

Francisco Martins Rodrigues

As notícias vindas a público acerca do recente abandono do PC(R) por algumas dezenas de militantes podem ter induzido em erro os leitores, por insuficiência de informação. Agradeço pois a divulgação dos seguintes breves esclarecimentos:

1 — A ruptura teve origem em divergências políticas de fundo, não numa luta entre «pró-albaneses» e «anti-albaneses».

2 — Trata-se de saber se a ofensiva capitalista, que já leva nove anos e está pondo os ope­rários na miséria e o país a sa­que, pode ser detida por uma nova convergência que eleja um presidente liberal, tipo Eanes, ou se exige um reagrupamento do movimento operário, como primeira condição para que al­guma coisa mude.

3 — Trata-se de saber também se a «Primavera» de há dez anos deve ou não ser classifica­da como uma fraude, ainda que isso choque muito boa gente. Quanto a nós, os operários fo­ram pura e simplesmente comi­dos com loas socialistas e têm que se preparar para não voltar a cair noutra. A insolência reaccionária de Soares em 84 não seria possivel sem as bombeiradas ordeiras de Cunhal em 74 — esta é a questão.

4 — Consideramos ainda perda de tempo andarem-se a criar imitações radicais da tacanhez reformista do PCP. Não é com lutas para disciplinar o lucro dos capitalistas que se forma uma vanguarda operá­ria, capaz de deslocar a balan­ça de forças para a esquerda. Para isso, é preciso semear en­tre os operários a revolta contra o papel que lhes foi distribuído, de vaca leiteira do sistema.

5 — Por fim, não acredita­mos que possa existir em Por­tugal um partido comunista a sério (isto é, que seja o oposto do PCP) sem uma corrente de ideias marxistas. Dogmas e ta­bus acerca de Staline, de Mao, da Albânia, etc., já ajudaram a liquidar duas gerações de revo­lucionários. Contra os «marxismos» empalhados que por aí se vendem, vamos fazer o que pu­dermos pelo marxismo crítico, vivo, revolucionário. Será o nosso contributo para resolver a crise que aflige o país.

Carta de FMR a O Jornal de 21/12/84, publicada no Boletim Interno nº 1, Março de 1985)

 

Intervenção a 8 de Dezembro de 1984

Francisco Martins Rodrigues

O nosso encontro não é um jantar de despedida de arrependidos da esquerda. Não viemos aqui fazer um saldo das nossas convicções revolucionarias. Não temos nada a ver com os grupos que anterior­mente abandonaram o PC(R) e que hoje se pavoneiam no Expresso e no Clube da Esquerda Liberal, â procura de tachos. Estamos no cam­po oposto a essa gente. Por isso mesmo, não estamos interessados em ir lavar roupa suja para a imprensa burguesa. Encaramos a nossa saída do PC(R) como um passo em frente na nossa vida de militantes comunistas, para responder melhor às exigências que coloca a revo­lução em Portugal.

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