O fermento

Em Marcha, 12 Junho 1980

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A vantagem

Em Marcha, 5 Junho 1980

Algumas questões em suspenso

Francisco Martins Rodrigues

  • Qual deve ser o alvo central da nossa crítica? O revisio­nismo? a social-democracia? ou o sistema capitalista, origem de tudo? É justo o critério de centrar o fogo na corrente de ideias que forma o travão principal para o avanço da classe operária? Ou, dada a desmoralização a que chegou a classe operaria, é preciso voltar a dar-lhe perspectivas de socialismo por um ataque central à burguesia?
  • Teremos que concluir que o alvo do ataque da corrente ML nestes 30 anos estava errado? Mas se não tivéssemos feito tanto fogo contra os revisas, não seríamos hoje revisas?
  • A nossa dificuldade em formar corrente não será resultante de não termos respostas positivas e apenas denúncias? Poderia dar-se à O. uma orientação mais programática, indicando o sistema social que queremos, o caminho para lá chegar, posições tácticas que apoiamos no terreno da luta política e da luta reivindicativa?
  • É verdade que se esgotou a nossa argumentação em torno de “desenganchar” o proletariado da pequena burguesia? Não há coisas novas a dizer para a demarcação de campos entre as duas classes? Deveria dar-se um cunho mais “obreirista” à O.?
  • A crise política da OCPO não poderá vencer-se se centrar­mos os nossos esforços na ligação com a classe operária e os seus problemas? Porque não lançarmos uma campanha em defesa da democracia operária para mostrar aos operários que é possível impor a sua vontade se a maioria exigir a obediência da minoria?
  • URSS: a perestroika é a política duma classe que atravessa uma crise mas que está a fazer a sua reconversão para dar a volta por cima, ou é a agonia da camada burocrática que administrava o capitalismo de Estado? Se a convulsão social na URSS fosse tão profunda como se crê, poderia ela ter partido da própria cúpula do PCUS? Não teria já dado origem a choques violentos entre forças antagónicas?
  • Onde estão os capitalistas russos capazes de comprar as empresas estatais? Não irá a URSS evoluir para uma forma nova do mesmo capitalismo de Estado, modernizado através de joint-ventures com o imperialismo? Não será cedo para can­tarmos a derrota do social-imperialismo?
  • Se a revolução russa de 1917 se fez a pensar numa revolu­ção socialista europeia que não surgiu, põe-se a questão: Lenine e os bolcheviques estavam enganados? A Europa estava madura para a revolução, mas esta não se deu devido à traição da social-democracia? Quando haverá condições maduras para uma nova revolução proletária em qualquer ponto do mundo?
  • O nome de “corrente ML” surgiu há 30 anos lançado pelo PC China e o PTA, na base da fidelidade a Staline, etc. U ma vez que rompemos com essa linha considerando-a centrista, ainda devemos manter a denominação de “ML”? Se não formos ML, o que seremos? só comunistas? comunistas revolucionários? marxistas?

sem data (possivelmente 1987)

Informe à 3.a Assembleia da OCPO

Francisco Martins Rodrigues

  1. Forças escassas, grandes tarefas

Desde a ruptura com o PC(R) tornou-se evidente a desproporção entre as metas que fixámos à OCPO e as forças reais de que dispú­nhamos: elaborar um programa comunista — mas com que prepara­ção teórica? ganhar raízes na vanguarda operária — mas onde estão os militantes capacitados para isso? fazer um largo trabalho de agitação e propaganda — mas que é dos meios técnicos e financeiros?

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Eleições: estamos a cair no esquerdismo?

Francisco Martins Rodrigues

Começo por dar um resumo da argumentação de Lenine acerca do “esquerdismo” nas eleições. Cada camarada poderá ler o texto integral em Esquerdismo, doença infantil do comunismo, capítulos VII, VIII e IX.

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Notas para a elaboração do programa

Francisco Martins Rodrigues

1 — No Manifesto aprovado na nossa Assembleia constitutiva de Maio de 1985, declarámos que a etapa da revolução em Portugal é socialista Estava então claro para nós que o poder burguês e o desenvolvimento do capitalismo tinham levado Portugal à fronteira da revolução proletária.

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