O que tem o PCP de hoje a ver com o velho PCP?

Francisco Martins Rodrigues

O PCP conserva à sua frente a maior parte dos quadros dirigentes que tinha o velho PCP nos anos 40. A passagem dos chefes cunha listas para o campo da burguesia fez-se sem grandes cisões nem viragens espectaculares. Cunhal esforça-se por fazer crer que o actual PCP revisionista seria o mesmo PCP de outrora, comunista e revolucionário.

Aparecem assim trabalhadores de esquerda que ainda encaram o PCP como um partido comunista ou pelo menos como um partido bastante radical. Alguns vêem no PCP um partido em vias de degeneração mas ainda não completamente degenerado. Falam da força das tradições combativas e antifascistas do PCP. Apontam a diferença que o separa dos revisionistas espanhóis ou italianos.

O CUNHALISMO VAI FAZER 40 ANOS

Cabe aos militantes do nosso Partido, na sua acção diária de esclarecimento da classe operária, mostrar que o corpo partidário, os dirigentes e o nome do PCP podem ser os mesmos de há 30 anos, mas a política, os objectivos, os métodos de acção, a natureza de classe, são opostos aos do velho PCP.

O oportunismo cunhalista é uma corrente amadurecida, com quase 40 anos de existência. Quando se declarou como revisionismo em 1956 era já fruto do lento apodrecimento político oportunista de Cunhal, que se infiltrara na direcção do PCP desde os anos 40. A traição dos chefes e do aparelho do PCP fez-se através duma longa série de lutas contra a esquerda, contra o marxismo-leninismo e de cumplicidade com a burguesia.

Não é possível fazer aqui a história da degeneração que destruiu o antigo Partido Comunista Português. Mas, dada a juventude da maioria dos nossos camaradas, não é demais relembrarmos os episódios principais que acompanharam a traição revisionista, entre 1956 e 1965.

UMA LONGA SÉRIE DE LUTAS CONTRA A ESQUERDA

1956 — alinhamento incondicional com as teses revisionistas do XX Congresso: o PCP declara possível a passagem pacífica ao socialismo, renega a obra de Staline como “culto da personalidade”, proclama a possibilidade do afastamento pacífico de Salazar, adopta a linha geral da coexistência pacífica com o imperialismo americano. O PCP torna-se um partido revisionista.

1957 — O V Congresso abandona a estratégia da revolução democrático-popular e empenha o Partido no esforço para desagregar o regime pela atracção dos fascistas descontentes.

1958-59 — quando Salazar atravessa a sua maior crise política (campanha do general Delgado), a direcção do PCP trava o ascenso das massas, lança um abaixo-assinado pedindo a Salazar que se demita, decreta uma “jornada nacional pacífica” que é recusada pelos trabalhadores.

1960-61 — perante o fiasco da política de afastamento pacífico de Salazar, Cunhal orienta o PCP para o “levantamento nacional”: revolta militar liberal com apoio de massas.

1960-61 — Cunhal alinha servilmente com Kruchov na reunião dos 81 partidos e no XXII Congresso do PCUS: ataca e insulta o Partido do Trabalho da Albânia, o Partido Comunista da China e todos os que defendem o marxismo-leninismo, apoia a teoria do Partido e do Estado “de todo o povo” em substituição da ditadura do proletariado, apela à luta contra o “dogmatismo”.

1961 — Cunhal não se compromete no apoio às guerras de libertação das colónias portuguesas, para não perder a aliança com a burguesia liberal e não ser atacado por Salazar como “traidor à Pátria”.

1962-63 — Cunhal apoia as pressões russas para tentar forçar o Vietname a capitular perante o imperialismo americano.

1963-65 — Os quadros centrais e regionais do PCP são ocupados por uma centena de funcionários formados nas escolas revisionistas de Moscovo. Afastamento e expulsão de numerosos militantes acusados de “esquerdismo”, sobretudo nos comités regionais de Lisboa, Margem Sul e Alentejo. O Avante denuncia à PI DE militantes marxistas-leninistas na clandestinidade.

1965 — O VI Congresso traça a estratégia da chamada “revolução democrática e nacional”, que é a utilização da classe operária para liberalizar o regime burguês. O PCP afasta-se definitivamente do seu caminho primitivo, torna-se um partido burguês revisionista ligado ao social-imperialismo russo.

O VELHO PCP TEM UM CONTINUADOR, O  PCP(R)

Estes factos, entre tantos outros, não podem ser apagados.

Quando discutimos com os trabalhadores que se mantêm no PCP, iludidos pela ideia de que os seus dirigentes “têm muita experiência” e “já deram provas de firmeza sob o fascismo”, devemos saber mostrar-lhes como esses dirigentes, encabeçados por Álvaro Cunhal, trocaram o campo revolucionário da classe operária e a linha marxista-leninista pelo campo dos remendos na sociedade burguesa e pela linha revisionista. Sobretudo a experiência que vem do 25 de Abril até hoje está cheia de exemplos esclarecedores.

Quando há operários que nos dizem que efectivamente Cunhal, Pato, etc., não actuam corno comunistas mas que é preciso ficar no PCP porque “é o partido da classe operária”, devemos saber mostrar lhes a transformação interna sofrida pelo PCP e a impossibilidade de o corrigir. A única forma que esses operários têm de lutar pela sua classe e pelos ideais do comunismo é fora do PCP, minado pelo revisionismo, é nas fileiras do PCP(R), que voltou a erguer a bandeira do marxismo-leninismo, da revolução e do socialismo e que avançará com ela até à vitória final.

Bandeira Vermelha nº 166, 21 de Março de 1979

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