Onde está o inimigo?

Francisco Martins Rodrigues

Na seqüência da recente onda de atentados, está em curso por toda a Europa umha campanha orquestrada para unir os cidadaos contra a “ameaça terrorista”, ao lado dos seus governos e das suas polícias. Entramos assim numha etapa nova da “guerra infinita”: até aqui martelavam-nos com a obrigaçom de apoiarmos os nossos soldados enviados para terras distantes; agora encarregam-nos de vigiar os “suspeitos”, querem tornar-nos auxiliares da polícia. E é tam grande a pressom da histeria que mesmo partidos na área da esquerda – podo citar no nosso país o Bloco de Esquerda – enfileiram no campo da ordem e apelam a que “sejam descobertos e punidos os criminosos”.

Aqui na Galiza tereis talvez exemplos semelhantes. Isto é umha estupidez, por duas razons. Primeiro, porque é absurdo pensar que os nossos países podem fazer a guerra a outros e nom sofrer as consequências. Na realidade, só pola esmagadora superioridade militar do Ocidente é que as baixas do nosso lado nom som maiores; se a guerra actual fosse em condiçons de igualdade, teríamos mísseis do campo contrário a cair sobre Londres ou Roma, tal como os “nossos” mísseis arrasárom Faluja e Bagdad; sofreríamos entom, nom centenas mas dezenas de milhares de vítimas inocentes, como eles sofrem.

É umha estupidez, em segundo lugar, porque as novas leis antiterroristas, a vigiláncia global, a coordenaçom das polícias, nom visam só os autores dos atentados; visam a própria esquerda. Há aí alguém tam ingénuo que ainda ignore o que preparam para nós os governantes europeus?

Pedir o reforço das polícias e da vigiláncia é pedir a repressom que amanhá cairá sobre nós próprios.

“Mas entom – perguntam-nos – como há de a esquerda ir ao encontro do pánico das populaçons, temerosas de novos actos de terror?” A resposta nom é difícil. Vamos dizer-lhes:

“Quereis acabar com o terrorismo? Reclamade agora a retirada de todas as tropas de ocupaçom, a demissom dos governantes criminosos que nos envolvêrom nesta guerra, o pagamento de indemnizaçons às populaçons vítimas da invasom, sançons a sério contra os fascistas sionistas, puniçom exemplar para os racistas e xenófobos…”

Talvez nom sejamos ouvidos à primeira. Mas se o repetirmos com força, a mensagem acabará por chegar. E aí muitos entenderám que os culpados polos atentados estám à nossa frente, som os nossos governos, e que o inimigo está no nosso próprio campo, é a nossa burguesia.

Intervençom no comício de Nós-Unidade Popular, em Santiago de Compostela, 25 de Julho de 2005

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s